05/01/11


Acordei desorientado como todos os dias, mas hoje senti algo diferente, alguma coisa dentro de mim brilhava mais, impulsionava-me o corpo para frente como se me quisesse fazer andar. Apercebi-me logo que seria um dia diferente; no meu colo estava uma mala, o seu couro desgastado mostrava a sua longa existência e a minha mão quase involuntariamente abriu as suas fivelas douradas. Sentei-me na cama, os raios de sol entravam fortes pelo espaço entre as cortinas e eu tirei tudo o que havia dentro da mala, despejei-a toda no meu colchão afundado pelo tempo, e vi das mais variadas coisas surgirem dalí: uma pequena bússola tão delicada que parecia prestes a partir-se, um relógio com numeração romana que indicava serem sete e treze da manhã e uma garrafa cheia de água fresca entre outras. Diante disso não esperei nem mais um segundo, vesti a primeira roupa que vi e abri a porta, coloquei tudo de volta na mala, foi quando senti um objecto redondo lá bem no fundo, uma espécie de pêndulo com uma abertura, lá dentro uma foto tua.. E aí percebi tudo, meu coração preencheu-se, a minha angústia diminuiu um pouco e eu tinha um objectivo. Podia ter pensado que aquilo tudo estava alí para eu chegar até ti, mas bem lá no fundo eu sabia que não, aquilo era a minha saída, segui em frente, procurei uma nova vida motivado pelo que um dia sentimos um pelo outro, por todos os segundos que passámos juntos e estavam alí, recordados naquela fotografia tua. Resolvi procurar voltar a sentí-lo novamente, mas abrindo novos horizontes.